Acabo de voltar da primeira saída de campo com a turma. A princípio iríamos participar de uma palestra sobre Educação Ambietal em um povoado próximo, mas por falta de aviso aos habitantes e o não comparecimento destes, a paletra não foi realizada. Foi decidio então que iríamos para a Serra da Capivara ter uma aula sobre a aranha venenosa marrom, a mais comum nesta área.
[Ver a plaquinha "Parque Nacional da Serra da Capivara" foi tão emocionante!]
Chegando no Parque, fizemos uma leve caminhada até um paredão onde estas aranhas são encontradas. No meio da explanação feita por uma bióloga do Butantan que nos acompanhava, um dos alunos a interrompe para avisar que um enxame de abelhas estava se formando acima de nós. Quando olhei pra cima, vi aquela nuvem negra se formando ao longo do paredão. Primeira reação de todo mundo? Sair correndo. A pedidos de nem sei quem, ao invés de correr desesperadamente, tentamos caminhar calmamente para não atrair as abelhas que já tinham percebido nossa presença. O grupo se divide, cada um vai para um lado diferente. Depois que nos afastamos um pouco, meu colega paulista que estava comigo se perguntando "já posso entrar em pânico?", perguntou se já podíamos correr e com resposta afirmativa, todos saíram correndo o mais rápido possível por um caminho pela mata, que levava à uma caverna. Com o barulho feito na corrida, as abelhas começaram a nos atacar. Depois de um tempinho ouvi os gritos da minha roomy. Quando olhei para trás vi um monte de abelhas em cima dela e entrando em seu cabelão. Toquei a corrida sem mais olhar pra trás assim que senti uma picada na minha perna. Achei que depois desta primeira elas viriam aos quilos pra cima de mim, mas não vieram. Fui ouvindo os gritos da minha roomy até chegar na caverna.
Alguma pessoas que estavam perto dela, foram dar assistência e acabaram sendo mais picadas ainda. Que bom que eu levei minha termolar com água [tá que ela é vermelha e nunca mais a levo pro campo] pois ela que acabou sendo utilizada para afastar as abelhas do pessoal. Não ficaram abanando a termolar tentando acertá-la nas abelhas [rs], mas jogaram a água em quem estava sendo picado.
Eu e mais alguns alunos ficamos do lado de dentro da caverna enquanto os mais picados ficaram fora, a pedido da bióloga, para que as abelhas não atacassem quem não havia sido picado [questão de ferormônio liberado pelas abelhas quando picam].
Na caverna nos alertaram que não poderíamos enconstar na parede por conta das aranhas e que fizéssemos silêncio para não atiçar os morcegos. E isso foi falado de uma ponte de madeira tão alta que nem dava para ver o fim do buraco embaixo. Eu nem estava mais preocupada com as abelhas quando percebi que estava naquela pontezinha que parecia ser bem frágil, de uma altura que parecia ser sem fim. A coisa estava tão tensa que quase meti a mão em um aluno figura que entrou na caverna falando alto e com seu celular ligado ouvindo reggae. Pode? rs
Após muito tempo saímos da caverna e voltamos para o ônibus por outro caminho que tentamos achar pela mata. Que bom que foi outro caminho pois eu estava nervosa com a ideia de voltar pelo mesmo. Havia sido combinado que iríamos de dois a dois, o mais silenciosamente possível, mas acabamos fazendo outro caminho e fomos todos juntos.
Depois disso tudo o pessoal desanimou? De jeito nenhum! "Foi pra isso que eu me inscrevi neste curso"! Este era o sentimento da maioria. O pessoal saiu de lá com um sorriso no rosto e a certeza de que este era o curso de suas vidas! Mesmo os que foram muito picados.
Claro que um ou outro detestou a experiência e ficou óbvio os que vão durar até o fim, mas a grande maioria estava muito empolgada.
Eu com certeza sou um dos empolgados! Amei!
Esta foi uma ótima experiência que nos ensinou da maneira mais.... cruel? o que não devemos fazer em campo. Arqueólogo não passa perfume, nunca lava a roupa com amaciante, usa roupas claras, trabalha de cabelo preso, não usa termolar vermelha, faz tudo silenciosamente e não entra em pânico.