quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Bukowskiando.

Ele Bukowski.
Tu Bukowski.
Eu Bukowskiando.

- Menina, larga este livro e vai estudar!

sozinho com todo mundo

a carne sobre os ossos
e colocam uma mente
ali dentro e
algumas vezes uma alma,
as mulheres quebram
vasos contra as paredes
e os homens bebem
demais
e ninguém encontra o
par ideal
mas seguem na 
procura
rastejando para dentro e para fora
dos leitos.
a carne cobre
os ossos e a
carne busca
muito mais do que mera
carne.

de fato, não há qualquer
chance:
estamos todos presos
a um destino
singular.

ninguém nunca encontra
o par ideal.

as lixeiras da cidade se completam
os ferros-velhos se completam
os hospícios se completam
as sepulturas se completam

nada mais
se completa.

(o amor é um cão dos diabos -- Charles Bukowski)

Agora já me permito.

E desde que me entendo por pessoa emocionalmente independente, vivo em conflito com as permissões que pautam minha conduta.  Por ter tido uma criação evangélica, a moral e o pudor costumam dirigir todas as minha ações, mesmo eu não fazendo mais parte do universo cristão que poderia me repreender através da doutrina. Sendo assim, vivi uma vida regrada, de pensar muito antes de agir, e sempre optando "pelo deixar de fazer" para não me arrepender, ao invés de me permitir e "aprender com meus erros". Às vezes que me permiti, tentando assim experienciar o diferente, vivi angustiada pelo arrependimento.

Outro dia ouvi um amigo dizer que eu me prendia demais. Isto me deixou bastante reflexiva. Desde então tenho tentado mudar minha postura. Tenho arriscado mais, e feito coisas que até pouco tempo não faria. E isto tem resultado, para minha surpresa, não todo em arrependimento, mas no sentir de um amadurecimento quase diário. 

Minhas ações tem surpreendido amigos que agora me dizem que estou diferente, e que incentivam a minha mudança. Estou feliz com esta mudança.