quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Na companhia da Billie.

Hoje é noite de descanso.

Depois de voltar do trabalho - hoje a aula foi muito agradável - decidi tirar a noite para mim e descansar fazendo um programinha que desde que cheguei aqui não fazia: ouvir Billie a luz de velas, bebericando vinho.

Sala iluminada, vinho na taça, portas e janelas abertas - purificando o ar da casa com o cheiro de chuva - agora ouço a Billie cantando uma de minhas músicas preferidas: Without your love.

Preciso voltar a fazer mais programas com me, myself and I. Tenho vivido uma vida fora do comum, compartilhada quase que tempo integral com outras pessoas, e sim, isto também é bom mas por vezes tenho me esquecido de mim. É muito fácil acostumar com uma rotina compartilhada mas também vejo que é muito fácil retornar à velha e boa natureza solitária.

Nesta semana o Whitman me tirou da multidão e agora a Billie me guia mais uma vez ao encontro de mim mesma.


Walt Whitman


Não há quase nada que um poema do Whitman não resolva. Absolutamente amo o trabalho deste homem. Sempre recorro ao Leaves of Grass em busca de conforto, quando quero expressar em palavras momentos grandiosos, exaltar a existência, a individualidade, a identidade, o amor ao próximo, ao desconhecido. É arrebatador. Uma espécie de bíblia.

*
O trecho que segue é do "Out of the craddle endlessly rocking".
Virou uma espécie de mantra para mim. Um chamado ao amor.

Hither my love!
Here I am! here!
With this just-sustain'd note I announce myself to you,
This gentle call is for you my love, for you.


Segue um trecho do primeiro poema do Walt que eu amei: "Song of myself"

Divine am I inside and out, and I make holy whatever I touch or am touch'd from,
The scent of these arm-pits aroma finer than prayer,
This head more than churches, bibles, and all the creeds.

If I worship one thing more than another it shall be the spread of my own body, or any part of it,
Translucent mould of me it shall be you!
Shaded ledges and rests it shall be you!
Firm masculine colter it shall be you!
Whatever goes to the tilth of me it shall be you!
You my rich blood! your milky stream pale strippings of my life!
Breast that presses against other breasts it shall be you!
My brain it shall be your occult convolutions!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dear rain!

Começou a chover em SRN novamente! Chuva em um lugar desses gera em mim expectativas muito mais elevadas que as habituais.

Eu sempre tive esta conexão muito forte com chuvas, algo quase místico. Ela me traz familiaridade, me leva para lugares distantes. Quando chove sinto em meus poros a força de algo que está além de mim, expressão máxima da energia da Natureza. Que viagem. Nem sei explicar isto direito sem soar ridiculamente zen. Só sei que ao menor sinal de chuva me inquieto, fico com aquela expectativa agoniante, mas serena, de que algo fantástico vai acontecer.

Um amigo meu, que é paulista, me disse que isto parecia ser uma padrão em Brasilienses que, por não terem mar, transferiam sua carência de água para as chuvas. Não sei se é algo realmente típico de Brasiliense - ainda mais porque o mar não faz diferença nenhuma na minha vida e nem sequer gosto de praias - mas a chuva sempre me afeta profundamente.

E em tempo de chuva, Sigur Rós! Que saudade deu do meu querido Gabriel, amigo que aprendi a associar às chuvas.

Ha! E falando nela... olha ela chegando! =]]

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Legendary!

Era noite do início da semana. Três amigos resolveram se reunir para conversar sobre seus problemas e achar conforto na companhia um do outro. A primeira parada foi na taverna do alto do morro, onde se tem vista privilegiada de todo o condado. Sentados ao redor da mesa, entre goles de fermentado, revelações formam feitas, confidências trocadas, promessas firmadas. Este foi um daqueles momentos de construção de uma grande, verdadeira e duradoura amizade.

A conversa teria continuado ali se o dono da taverna não tivesse dando indícios de que queria encerrar seu trabalho por aquele dia. Os três amigos deixaram o local mas não queriam ainda voltar para casa. Decidiram então usufruir um pouco mais da vista do condado, mas alguma coisa parecia estar faltando. Todos estavam sedentos de algo diferente, algo especial. A expectativa de uma experiência arrebatadora os inquietava. Tendo isso em mente, um dos amigos sugeriu a visita a um lugar onde tudo naquela noite poderia ser apreciado de forma mais intensa – a brisa fresca com o cheiro da chuva que caia distante, as estrelas e a lua. Os amigos seguiram assim para longe do condado.

No caminho canções formam entoadas com muito entusiasmo, gerado tanto pelo efeito da bebida, quanto pela necessidade de colocar as frustrações para fora em forma de cântico. Da estrada saía fumaça. Da vegetação, um cheiro forte de terra molhada, de casca de árvore. Isto os inebriava ainda mais.

Chegando ao lugar escolhido, os amigos não acreditavam na beleza do cenário. A única luz vinha da lua e das estrelas. Eles estavam cercados por serras, rochas e árvores. A empolgação foi tamanha que eles começaram a dançar, a cantar, a correr, a gritar. Um deles pensava "let it all go!" enquanto dançava com os braços erguidos para o céu como que querendo, com aquele gesto, abraçar tudo o que há de maravilhoso no mundo. Deitados no chão contemplavam o céu e faziam pedidos às estrelas cadentes.

Depois deste momento em que saudaram a vida, a natureza e a amizade, conversaram sobre o futuro, sobre suas expectativas em relação à vida. Os problemas já haviam sido esquecidos. Eles estavam vivendo o presente. Aquele presente agradável e arrebatador. Seus corações se encheram de serenidade. Estavam felizes. Acima de tudo, felizes por estarem na companhia um do outro. Eles passaram algumas horas neste estado de contemplação.

Apesar de terem certeza de que nunca esqueceriam esta noite, os amigos queriam deixar marcas deste momento de alegria. Talharam assim seus nomes em madeira e frases que expressavam o que sentiam.

À vista do alvorecer, os três amigos partiram contentes com a promessa de retornarem juntos àquele lugar que havia virado uma espécie de santuário.

Toda a frustração foi deixada para trás e os amigos sabem agora que encontram um no outro um porto seguro ao qual sempre poderão recorrer em momentos difíceis.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dia das crianças.

Ainnnnn, passei o dia das crianças longe das minhas pimpolhas. Que saudade das conversas, gaiatisses e companheirismo da Isa, da doçura, gentileza e criatividade da Ceci, do carinho, ironia e dengos da pequena Maria.

Preciso de dias de 40 horas.

Estou tão atarefada que 24hs em um dia não são suficientes para fazer tudo que preciso. São dezenas de textos para ler, provas, trabalhos, campo, ainda tenho aulas e mais aulas para preparar. Sem contar que preciso de tempo para dedicar aos amigos e outras pessoas próximas a mim e que de mim necessitam.

Hoje mesmo terei que adentrar a madrugada estudando Pré-História do Velho Mundo. Pelo menos o assunto é MUITO interessante. Jisuis... meu almoço de amanhã vai ser ocupado com resumo de texto de Geologia e a madrugada com estudos para prova de Desenho Arqueológico. Aula de manhã, de tarde e trabalho de noite...

Quero dias de 40hs e disposição para encarar todas elas. Disposição... meu corpo nem obedece mais a estímulos. rs Quando são mesmo as férias?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Taiguara é um amor.

Tive uma noite tão agradável ontem! na companhia de uma das pessoas mais doces que já conheci. Foi noite de bom papo, ao som de boa música, acompanhada de pizza, vinho e cerveja. Mais do que nunca adotei o Guará como meu irmãozinho caçula.


domingo, 10 de outubro de 2010

Escavei!!!

Mais uma vez fui para a Lagoa dos Porcos para ter aula de topografia. Fomos tirar pontos para fazer a curva de nível do sítio. Alguns alunos ficaram no teodolito e outros foram escavar. A princípio eu deveria ficar com a leitura dos fios, mas tendo alguns amigos me chamado para ir na escavação, acabei os acompanhando.

Escolhida uma área para escavar, meus amigos pegaram os instrumentos e começaram a trabalhar. Fiquei de fora, meio sem jeito pois nunca havia escavado e nem sequer tido ainda uma aula sobre métodos e técnicas de escavação. Fiquei com receio de fazer besteira. Só que, como um dos trabalhadores do sítio me chamou para escavar, acabei não resistindo. E foi.... LINDO!!!

Na área em que estávamos haviam alguns fósseis de megafauna. Peguei os instrumentos e comecei a trabalhar. Esta foi a melhor sensação do ano, com certeza! Confesso que me achei o máximo ali prostrada sobre um fóssil, com a ferramentas em mãos e amigos trabalhando comigo em uma escavação de proporções gigantescas. Fiquei ali contemplando o momento, tendo a certeza de que finalmente estou na área certa. É isso que quero fazer para o resto da vida... trabalhar em campo e escrever artigos.

Dia 08/10/2010... com certeza um dos melhores dias da minha vida. =]

*

Tudo na minha vida está absolutamente acertado. Moro sozinha, em uma cidade que gosto, estou empregada, faço o curso dos meus sonhos, fiz as pazes com Deus, tenho um companheiro legal ao meu lado, bons amigos, uma família que me ama incondicionalmente e me apóia em tudo que faço. O que mais posso querer?



quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Campo e teodolito.

Hoje foi dia de ir pra campo aprender a manusear o teodolito*. Fui praticar na Lagoa dos Porcos com um topógrafo e minha professora de topografia.

Na Lagoa dos Porcos está acontecendo uma escavação onde já formam encontrados vários fósseis de megafauna e indústria lítica. É uma escavação de porporções muito grandes, que cobre uma vasta área... eita mas é bonito de se ver!! Um prato cheio para arqueólogos, paleontólogos e geólogos [os fósseis estão emergindo de camadas de terra que parecem porpurina dourada! É lindo!]

Lembrei muito do meu pai que também trabalhava com o teodolito na área de Geodésia do IBGE. Tal pai tal filha, hein velho? =]


*Instrumento utilizado para medição de ângulos verticais e horizontais por triangulação. Utilizado na arqueologia para pontuação de artefatos arqueológicos em plantas, cartas, etc.