
Neaderthal
Meu respeito pelo homem homem pré-histórico aumentou sensivelmente depois da aula de desenho arqueológico da sexta-feira. Quando comecei a estudar a Pré-História aqui no curso de Arqueologia e a entender as condições nas quais viviam os grupos humanos da época, passei a respeitá-los muito. Os "caras" viviam quase que completamente a mercê da natureza e suas mudanças e em ambiente extremamente hostil, dividindo-o com animais que fazem os de hoje parecerem bichinhos de pelúcia. Ainda acho chocante imaginar que fósseis humanos encontrados em certos sítios são resultando de caça... animais que caçaram hominídeos e não o contrário.
O que me fez admirá-los ainda mais foi sentir na pele o quão difícil é produzir ferramentas líticas (feitas de rocha e utilizadas para cortar, raspar, perfurar e etc.).
Depois de desenhar cerâmicas, vamos começar a desenhar as ferramentas líticas, minhas queridinhas! A nossa professora convidou um historiador (de Brasília, formado no UniCeub! que mundo pequeno) que trabalha com técnicas de produção de ferramentas líticas para nos dar uma noção do desenho deste tipo de peça. Mas não iríamos desenhar uma peça qualquer, teríamos que produzir as nossas próprias ferramentas. Eu achei a ideia O MÁXIMO já que lítico é a área da arqueologia que mais gosto. Além disso, estaríamos fazendo minha tão cobiçada arqueologia experimental, que acredito ser essencial para qualquer arqueólogo. Acho que além de você tentar imaginar a situação, se colocar no lugar do homem pré-hitórico para melhor entendê-lo, você tem que sentir na pele o "estilo de vida" deles. Logo, tem que aprender a fazer ferramenta lítica, fogueira, ir pro meio do mato e etc.
Enfim...
Lá fomos nós procurar as rochas para produzir nossas ferramentas, neste caso, apenas lascas. Depois de uma breve explanação a respeito de como as lascas eram retiradas, mãos a obra! O Marcos fez tudo parecer tão fácil. Mas longe disso!
Além de ter que usar muita força, ficar batendo uma rocha na outra machuca. Com uma mão você segura uma rocha, o núcleo de onde você vai retirar as lascas, e com a outra você segura outra rocha, o percutor com o qual você vai bater no núcleo. Na primeira batida já senti meu braço doer.
Passei um bom tempo tentando tirar uma lasca considerável. Estava quase produzindo fogo por conta do atrito entre as rochas mas lasca que era bom nada. Machuquei os dedos e arranquei um pedaço da minha unha. Eu estava sendo cautelosa. Não queria me machucar, claro. Outros colegas saíram com os dedos ralados, furados e sangrando.
Depois de muito tempo consegui tirar uma lasca boa.
Com esta experiência vi que realmente todo um cuidado na fabricação de ferramentas tem que ser tomado, desde a escolha de rochas apropriadas até não ficar cego com uma lasca voando no teu olho. rs Adorei!
O homem pré-histórico terá meu eterno respeito. E pelo visto, vou me dedicar mesmo a arqueologia pré-histórica. Adoro as angústias que ela envolve... adoro a inexistência de respostas.
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