sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Beethoven|Fauconnier e Deezer!

Como não escrevo aqui há muito tempo, teria várias coisas que relatar, mas não quero fazer isso agora. Quero, no entanto, falar de música. Desde ontem estou passando todo tempo que posso dentro do meu quarto (e pretendo fazer isso pelos próximos 14 dias) ouvindo Beethoven. Dois fatores me levaram a isso: Bernard Fauconnier e Deezer.

Ontem terminei de ler minha primeira biografia. Eu nunca fui fan ou a favor da leitura de biografias por achar que isso influencia de forma negativa o apreço que temos para com determinada pessoa. Ou ainda, imaginava que se eu soubesse demais sobre a vida pessoal de alguém que eu admirava por sua música, escrita, arte ou o que quer que seja,  a minha interpretação de suas obras, de algo pessoal iria mudar para   algo apreciado sob a perspectiva de outros. As experiências que temos com a arte são íntimas, pessoais demais  e mudar seus significados por conta de terceiros, bom, pelo menos eu nunca estive disposta a isso. 

Mas... um dia desses, entre um voo e outro, me deparei com uma biografia do Beethoven, escrita por Bernard Fauconnier. Nesta época estava participando de uma escavação e acabei deixado em Brasília e SRN todos os livros que costumam me acompanhar para onde quer que eu vá por muito tempo. Levei apenas o Manual de Arqueologia Pré-Histórica do Nuno Bicho como material de leitura. Depois de mais de um mês, estava ávida por algo menos técnico. Foi aí que entrei em uma livraria de aeroporto e vi o Beethoven ali, na capa de um livro, olhando pra mim. Nem pensei muito, o tirei da prateleira e levei comigo. 

Que leitura agradável! Gostei muito da escrita do Fauconnier. Os franceses tem algo na escrita que eu admiro muito. Eles escrevem de maneira deliciosa sobre simplicidades cotidianas. Descrições feitas por franceses nunca são enfadonhas. E isso permanece mesmo quando da tradução do francês para o português. Não dizem que filosofia só em alemão? Descrição em francês! 

Depois que terminei de ler a biografia, nossa! pensei, que bom que a comprei! 

Minha apreciação por Beethoven nunca foi tão grande quanto sempre foi por Chopin ou Haydn, Dvorak e até mesmo Shostakovich. A grandiosidade das obras que conhecia de Beethoven me deixava exasperada. Não é possível viver sob este contante ar de exultação. Era como se, toda vez que ouvisse Beethoven, minha guarda se armava e eu estivesse sempre alerta, como que em um campo de batalha, para depois, no único momento em que meus músculos pudessem relaxar, eu estar em meio à uma confraternização vitoriosa, gloriosa, com meus companheiros de armas. Isso era Beethoven pra mim. Até em obras que não sinfonias eu me sentia assim.

A medida que fui lendo sobre a vida dele, minha percepção a seu respeito mudou sim. Aconteceu o que eu temia com biografia, mas foi algo muito bom.  Me compadeci daquele espírito atormentado pela falta de reconhecimento, de dinheiro, amor. Em meio a todas as desventuras (várias doenças inclusive) ele tinha noção de seu brilhantismo e permanecia fiel a ele, mesmo que isso o colocasse na situação precária na qual vivia. 

Uma das coisas mais interessantes a respeito dele, era que a composição não era algo fácil, não vinha tão naturalmente. Ele era bom em improvisações ao piano, mas na hora de compor, passava dias, meses, anos em uma única obra, escrevendo, reescrevendo. Ele era um brilhante tão comum. Adorei isso!

Obviamente, o livro fazia menção a diversas composições que pude ouvir, e estou ouvindo. São  composições que mostraram a genialidade do compositor em um universo, ou mais doce, ou mais alegre,  atormentado, nervoso, triste. Tudo isso tenho escutado graças ao Deezer!

Deezer é um site que disponibiliza uma série de músicas que você pode ouvir o quanto quiser, só que sem baixar. Há um período de teste de 15 dias em que você pode ouvir todas as músicas gratuitamente, depois disso uma taxa é cobrada. O meu começou ontem.

A maravilha do Deezer é que, além de colocar a minha disposição gravações que não poderia ouvir tão cedo na minha vida - por serem álbuns caros ou difíceis de encontrar, na maioria das vezes as duas combinações - as músicas abrem sempre, mesmo com a conexão via rádio muito lenta e instável de SRN. Sim, eu estou no céu musical! Já ouvi Martha Argerich tocando Shosta, Schumann, já ouvi Barenboim tocando sonatas e concetos de Beethoven, e pretendo ouvir muito, mas muito mais. Por isso tenho passado boa parte do tempo no meu quarto e assim o farei pelos próximos 14 dias, até que meu tempo de Deezer de graça acabe. 

E é impressionante como este clima gerado por música erudita me anima a estudar, ler, ler e ler! Está sendo uma delícia ficar aqui. 

Próximas biografias, Chopin e Haydn. 

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