terça-feira, 30 de julho de 2013


Músicas novas, fotos e cartas antigas. Tirei o dia pra sentir saudade de uma época em que fui feliz, pois tinha a melhor pessoa que já conheci ao meu lado. Sinto falta da cumplicidade entre amigos. E ainda mais da convivência, dos planos pro futuro compartilhados e construídos com a ajuda um do outro. Criar intimidade com outras pessoas é complicado. Leva tempo e nem sempre é viável por falta de afinidades, daquelas que realmente importam. Percebo aqui que a geografia e o interesse profissional não são suficientes para estabelecer grandes amizades. As diferenças são quase que inconciliáveis. 

Enquanto não acerto as coisas... que saudade! 

domingo, 28 de julho de 2013

Depois de muito lutar com um tema para meu trabalho de conclusão de curso (tcc), acredito que finalmente defini meu objeto de pesquisa e a abordagem metodológica que vou seguir. Só está faltando uma problematização mais acertada. Espero que minha orientadora e coorientador aprovem e achem a minha proposta válida. Caso contrário... nem sei mais o que farei. Acredito que já esgotei todas as possibilidades dentro da minha capacidade criativa fugindo de caracterização de sítio arqueológico e da teoria arqueológica. 

sábado, 22 de junho de 2013

Desperta|São Raimundo Nonato

Inspirados pelos protestos acontecendo em todo Brasil, moradores de São Raimundo Nonato também resolveram ir para a rua protestar. Para tanto, foi criado o movimento Desperta São Raimundo, que através de manifestações pacíficas busca melhorias para a cidade. 

Hoje aconteceu a primeira passeata do movimento, que levou cerca de mil pessoas para a rua. Durante a passeata, os manifestantes fizeram suas reivindicações através de cartazes, gritos e canções. A passeata saiu da Praça do Abrigo em direção à prefeitura de São Raimundo Nonato. Em frente a prefeitura, foi cantado o hino nacional, feita a leitura do manifesto do Desperta SRN, e moradores tiveram a oportunidade de falar sobre as melhorias que almejam para a cidade como um todo: saneamento, educação, saúde, conclusão do aeroporto, transporte público e etc. Houveram aqueles que também expunham sua preocupação frente o PEC 37, "Cura gay" e outros. 

A manifestação foi pacífica, e particularmente, foi lindo ver moradores idosos na rua reivindicando, juntamente com os jovens, as melhorias há tanto prometidas, mas nunca efetivadas.

Este foi o primeiro ato. Outros virão. É um movimento continuado. Espero que esta centelha se alastre e que os moradores de São Raimundo Nonato, os que nasceram ou não aqui, acordem e exijam mais do prefeito do que verba para carnaval, festejo do padroeiro da cidade e show de bandas de forró. 

#DespertaSRN
#Vemprarua

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Apatia|generalizada

Fato interessante que percebi este semestre: a apatia em relação à vida acadêmica está generalizada. Por todos os cantos da UNIVASF, vejo meus colegas se arrastando entre uma aula e outra, desanimados, cansados. Os que não desistiram do curso - foram vários os que deixaram SRN - vão para as aulas sonhando em estar em outro lugar. Um dos poucos estímulos para continuar se encontra no fato de que tudo acaba no fim do ano. 

Não sei o que acontece aqui nesta cidade, na universidade, mas parece que existe uma força que suga  nossas energias deixando em seu lugar o cansaço e a apatia. São vários os exemplos de professores, alunos e pesquisadores que chegam aqui só excitação, cheios de planos e perspectivas grandiosas para o futuro, mas que ao longo do caminho vão definhando e finalmente partindo. As lutas que temos que encarar são tantas!  Viver aqui é dar com a cara no muro quase todo dia. A esta altura o muro já deveria ter cedido, não? Mas não... nada muda. Os exasperados vão embora, os que continuam mal mal chegam ao fim. 

Enquanto a libertação não vem, vamos nos arrastando dia a dia, tentando inventar novas formas de deixar as coisas menos apáticas. Mas tem uma hora que a criatividade acaba. 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Para 2013

Minha lista de resoluções para o ano de 2013 diminuiu bastante comparada com a dos anos passados. A atual lista está curta não por eu já ter realizado tudo que  pedia (praticamente a mesma coisa todos os anos), mas porque estou virando uma pessoa cética. Os anos tem aos poucos anulado minha natureza romântica e idealista. Olho para isso não com pesar, mas como uma pessoa que analisa o passado sob a perpectiva de um novo eu. Sendo assim enxergo meu  passado hora como devaneios estúpidos da juventude, hora como algo que já nem reconheço mais. É a vida em progresso. Natural.
Para o ano de 2013 a única coisa que peço são 365 dias bem longe da mediocridade!!

domingo, 21 de outubro de 2012

Álbum que tenho escutado esses dias. Maravilhoso! como tudo que o Jordi Savall faz. 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Beethoven|Fauconnier e Deezer!

Como não escrevo aqui há muito tempo, teria várias coisas que relatar, mas não quero fazer isso agora. Quero, no entanto, falar de música. Desde ontem estou passando todo tempo que posso dentro do meu quarto (e pretendo fazer isso pelos próximos 14 dias) ouvindo Beethoven. Dois fatores me levaram a isso: Bernard Fauconnier e Deezer.

Ontem terminei de ler minha primeira biografia. Eu nunca fui fan ou a favor da leitura de biografias por achar que isso influencia de forma negativa o apreço que temos para com determinada pessoa. Ou ainda, imaginava que se eu soubesse demais sobre a vida pessoal de alguém que eu admirava por sua música, escrita, arte ou o que quer que seja,  a minha interpretação de suas obras, de algo pessoal iria mudar para   algo apreciado sob a perspectiva de outros. As experiências que temos com a arte são íntimas, pessoais demais  e mudar seus significados por conta de terceiros, bom, pelo menos eu nunca estive disposta a isso. 

Mas... um dia desses, entre um voo e outro, me deparei com uma biografia do Beethoven, escrita por Bernard Fauconnier. Nesta época estava participando de uma escavação e acabei deixado em Brasília e SRN todos os livros que costumam me acompanhar para onde quer que eu vá por muito tempo. Levei apenas o Manual de Arqueologia Pré-Histórica do Nuno Bicho como material de leitura. Depois de mais de um mês, estava ávida por algo menos técnico. Foi aí que entrei em uma livraria de aeroporto e vi o Beethoven ali, na capa de um livro, olhando pra mim. Nem pensei muito, o tirei da prateleira e levei comigo. 

Que leitura agradável! Gostei muito da escrita do Fauconnier. Os franceses tem algo na escrita que eu admiro muito. Eles escrevem de maneira deliciosa sobre simplicidades cotidianas. Descrições feitas por franceses nunca são enfadonhas. E isso permanece mesmo quando da tradução do francês para o português. Não dizem que filosofia só em alemão? Descrição em francês! 

Depois que terminei de ler a biografia, nossa! pensei, que bom que a comprei! 

Minha apreciação por Beethoven nunca foi tão grande quanto sempre foi por Chopin ou Haydn, Dvorak e até mesmo Shostakovich. A grandiosidade das obras que conhecia de Beethoven me deixava exasperada. Não é possível viver sob este contante ar de exultação. Era como se, toda vez que ouvisse Beethoven, minha guarda se armava e eu estivesse sempre alerta, como que em um campo de batalha, para depois, no único momento em que meus músculos pudessem relaxar, eu estar em meio à uma confraternização vitoriosa, gloriosa, com meus companheiros de armas. Isso era Beethoven pra mim. Até em obras que não sinfonias eu me sentia assim.

A medida que fui lendo sobre a vida dele, minha percepção a seu respeito mudou sim. Aconteceu o que eu temia com biografia, mas foi algo muito bom.  Me compadeci daquele espírito atormentado pela falta de reconhecimento, de dinheiro, amor. Em meio a todas as desventuras (várias doenças inclusive) ele tinha noção de seu brilhantismo e permanecia fiel a ele, mesmo que isso o colocasse na situação precária na qual vivia. 

Uma das coisas mais interessantes a respeito dele, era que a composição não era algo fácil, não vinha tão naturalmente. Ele era bom em improvisações ao piano, mas na hora de compor, passava dias, meses, anos em uma única obra, escrevendo, reescrevendo. Ele era um brilhante tão comum. Adorei isso!

Obviamente, o livro fazia menção a diversas composições que pude ouvir, e estou ouvindo. São  composições que mostraram a genialidade do compositor em um universo, ou mais doce, ou mais alegre,  atormentado, nervoso, triste. Tudo isso tenho escutado graças ao Deezer!

Deezer é um site que disponibiliza uma série de músicas que você pode ouvir o quanto quiser, só que sem baixar. Há um período de teste de 15 dias em que você pode ouvir todas as músicas gratuitamente, depois disso uma taxa é cobrada. O meu começou ontem.

A maravilha do Deezer é que, além de colocar a minha disposição gravações que não poderia ouvir tão cedo na minha vida - por serem álbuns caros ou difíceis de encontrar, na maioria das vezes as duas combinações - as músicas abrem sempre, mesmo com a conexão via rádio muito lenta e instável de SRN. Sim, eu estou no céu musical! Já ouvi Martha Argerich tocando Shosta, Schumann, já ouvi Barenboim tocando sonatas e concetos de Beethoven, e pretendo ouvir muito, mas muito mais. Por isso tenho passado boa parte do tempo no meu quarto e assim o farei pelos próximos 14 dias, até que meu tempo de Deezer de graça acabe. 

E é impressionante como este clima gerado por música erudita me anima a estudar, ler, ler e ler! Está sendo uma delícia ficar aqui. 

Próximas biografias, Chopin e Haydn.